Brasília, 17 de Dezembro de 2017
  
 
Burle Marx

O paisagista do mundo
102 de arte


Há exatos 102 anos nascia um paulista que, mais tarde, se tornaria um dos mais famosos paisagistas do mundo. Roberto Burle Marx (1909-1994) comemoraria hoje (4) mais um ano de vida. O artista faleceu aos 85 anos, mas deixou um extenso acervo de obras, das quais os brasilienses têm o privilégio de conviver diariamente.
Amigo de Oscar Niemeyer e de Lucio Costa, Burle Marx foi um dos artistas convidados para pensar numa cidade moderna e sofisticada. Após experiência em importantes projetos nacionais e anos de estudos no exterior, o paisagista projetou jardins que privilegiam a flora nativa do cerrado e conseguiu dar uma característica própria às áreas públicas de Brasília.
Ao mesclar as plantas com espelhos d’água, pedras e flores o trabalho de Marx foi muitas vezes comparado a obras de arte que poderiam, facilmente, ser emolduradas. O resultado pode ser visto em monumentos como a Praça dos Cristais, a Praça das Fontes, os jardins do Itamaraty, o jardim externo do Palácio da Justiça, o jardim externo do Palácio do Jaburu. O acesso às suas criações é ainda mais simples na 308 Sul, ao redor do Teatro Nacional e do Tribunal de Contas da União, entre outros.
Para garantir que o trabalho do artista seja conservado, o Governo do Distrito Federal assinou este ano o Decreto nº. 33.040, que determina a inclusão dos jardins de Burle Marx ao projeto urbanístico de Lucio Costa. Desta forma, o trabalho de paisagismo da cidade passa a pertencer à área tombada Patrimônio Cultural da Humanidade.
Burle Marx
Filho de pernambucana com mesclas francesas e de um alemão, Roberto Burle Marx aprendeu com a mãe a conservar e cultivar plantas. Desde os oito anos de idade já mostrava destreza com as técnicas de jardinagem, área que lhe levou a admirar também a pintura.
Ao se mudar para Alemanha, teve os primeiros contatos com a arte de Picasso, Matisse, Paul Klee e Van Gogh. Da pintura, partiu para outros tipos de manifestações artísticas. Foi paisagista, ceramista, gravurista, tapeceiro, designer de joias, pintor, músico. Produziu ainda cenário e figurinos para peças de teatro, óperas e decoração de carnaval.
Seu talento lhe rendeu homenagens como a Comenda da Ordem do Rio Branco do Itamaraty, em Brasília; o título Doutor honoris causa da Academia Real de Belas Artes de Haia (Holanda) e o título Doutor honoris causa do Royal College of Art, em Londres (Inglaterra).